Esse minuano que passou por aqui essa semana levou com ele um grande exemplo de coragem, dignidade, determinação, amor, amizade e respeito. José Remígio Serafini, 79 anos muito bem vividos. Dono de um bom humor contagiante, sempre soube cultivar as muitas amizades que constituiu por todos os lugares que passou. Grande amigo e companheiro político, sabia respeitar as diferentes opiniões, e defender a sua – era brizolista, usava lenço branco.
Dava valor às coisas simples da vida, como tomar seu licorzinho antes do almoço assistindo ao noticiário do meio dia, churrasquear aos domingos com toda a família reunida, ou simplesmente levantar as 6 da manhã para matear com a Dona Neta – com quem compartilhou 58 anos de amor, amizade respeito e consideração, enfrentando muitas lutas, sonhando junto e obtendo muitas vitórias – sentava-se ao lado do fogão à lenha, cruzava as pernas e servia o mate quente.
Faceiro e festeiro, sempre pronto pra contar uma história, de algum de seus muitos acampamentos pampa a fora, ou simplesmente comentar a vida política do país, ou dar conselhos. Brincava que tinha uma neta comunista, outra que ia ganhar um carro, e a mais nova, a “zóio branco do vô”. Agora se foi.
Depois de um derrame no dia 21 de maio deste ano, passou a ficar mais no hospital que em casa, teve um final triste, não pode terminar seus preciosos dias comendo carne e tomando cerveja como gostaria...
Existe um ditado popular que diz: “Deus escreve certo por linhas tortas”, há essas alturas já não sei nada sobre Deus, escritas, linhas, tortas ou retas que sejam. Só sei que Seu Serafin, já não está entre nós e, deixará muita saudade. Mas, acima de tudo, um grande exemplo.
- Te amo e te respeito pra sempre, meu avô!
“é sempre mais difícil dizer adeus, quando não há nada mais pra se dizer”.
domingo, 24 de agosto de 2008
"mas to afim de ficar sinceramente embriago de sinceridade e mais alguns alucinógenos amorosos que existem aqui no meu boteco particular chamado coração" (Lucy Indasky)
Caminhava sem rumo. Olhava as vitrines, nada a atraía muito. Pensava na futilidade da vida, ou na importância. Não tinha exatamente certeza quanto a isso. Viu de longe, aquela guria, fazia muito tempo que não a via, quase não reconheceu. Quando foi chegando mais perto teve certeza, “era ela!”. Estava mais bonita, cabelos curtos e tingidos, piercings, tatuagens; havia mudado bastante. Quem diria... - Oi, tudo bem? - Oi, tudo bem?Continuou sem rumo, não importava nem pra uma nem pra outra a resposta que viria. É sempre assim, nunca importa.
Ignorância, repressão, abuso de poder, irresponsabilidade. Estava eu jantando e assistindo ao Jornal Nacional, na rede Globo, quando mais uma vez meu lar é invadido pela notícia de que policiais assassinaram um cidadão inocente, sem motivos aparentes. Mas dessa vez não foi no Brasil, foi um cidadão brasileiro residente nos Estados Unidos. Vemos que não é só aqui que existem problemas gravíssimos com a política, economia e socialização. Há algumas semanas novamente, recebi noticias perecidas, pessoas foram mortas por policiais, sem nenhuma justificativa. Simplesmente chegam e atiram, sem verificar carro, placa, e identidade da vítima. Não que tenham o direito de assassinar alguém, mas que verifiquem o que estão fazendo. A quantidade de pessoas inocentes que estão sendo mortas “por engano” é assustadora, nunca foi tão alta quanto agora.
Toda essa guerrilha urbana, onde cidadãos comuns não têm o direito de se defender, me lembraram uma música feita no final da década de 70 em Brasília, uma cidade que inventa sua própria lei – “Se eles vêm com fogo em cima é melhor sair da frente. Tanto faz ninguém se importa se você é inocente. Com uma arma na mão eu boto fogo no país. E não vai ter problema eu sei, estou do lado da lei” – Veraneio Vascaína, parece que os profissionais que supostamente receberam treinamento, estão esquecendo de tudo, apenas usando a soberba para abusarem do poder que lhes foi concedido. O dever da polícia deveria ser “zelar e proteger” a integridade social do cidadão. E o que vemos: abuso de poder.
E quem disse que eu queria receber essas notícias, assim, de forma tão fria e calculista? Não parece que são pessoas morrendo, a vida se termina com “uma nota curta nos jornais”, “eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo, sem saber o calibre do perigo eu não sei de onde vem o tiro”. Parece que tudo o que foi escrito no fim de 70 e início de 80 está vindo à tona agora, seria essa a tão esperada evolução?
“Cuidado pessoal, lá vem vindo a veraneio, toda pintada de preto, branco e cinza e vermelho, com números do lado, dentro dois ou três tarados, assassinos armados, uniformizados, Veraneio Vascaína, vem dobrando a esquina...”